Minha segunda vez com ayahuasca: bad trip

Mês passado compartilhei aqui o relato de minha primeira experiência com a ayahuasca. Sabia que tinha sido transcendental, pelo relato da sensação de outras pessoas, pelo que eu mesma senti assim que a luz foi acesa e eu sabia que minha vida nunca mais seria a mesma.

Nos dias seguintes, eu fui tomada por uma energia sem igual. Jamais senti tanta força para seguir adiante, para ser o melhor que eu sou, sem ilusões, sem estar no mundo dos unicórnios.
E sabia, também, que nem sempre ia ser um nivarna assim. Que o chá ia cutucar pontos em mim que me fariam sofrer, mas que isso também traria uma limpeza. Ou seja, também seria maravilhoso.

Ontem experimentei outro tipo de ritual, com um chá de densidade diferente (mais fraco), e ao contrário da outra experiência, que tinha sido a melhor da minha vida, fui de encontro ao que de pior pode existir.

Não, não fui de encontro a mim, não foi uma “peia”. Não apanhei, não peguei uma falha ou característica encoberta e tive um contato revelador com ela. Não tive visões, não senti meu corpo, não tive conexão com nada. Senti apenas uma pressão horrível na cabeça. Não vomitei, apenas quase tive um piripaque (o famoso “teto preto”, que é a queda da pressão arterial), entendi, enfim, o que acontece quando a gente desmaia.

O que fiz foi acessar o caminho inverso ao de tudo de extraordinário que descobri sobre o funcionamento da mente.
A impressão é que fui apresentada ao que há de mais medíocre sobre a terra. Pensamentos tão rasteiros que giravam na minha cabeça sem se formarem. Só deixavam sensações como raiva, angústia.

Isso tudo depois de eu tomar duas doses e não sentir “a força” (que, basicamente, é quando a coisa bate). Percebi que quem estava daquele jeito era minha mente, reagindo ao fato de estar em um ambiente de onde não podia ir embora. Tentei meditar, e não dava. Quando eu não pensava em nada, apareciam imagens de chiuauas. Era ridículo, ri-dí-cu-lo.

Então, como já fiz em situações, digamos, mais perigosas, em que minha vida esteve verdadeiramente em risco, tomei o controle da situação. Usei a frustração de estar presa para tomar decisões que já precisava há algum tempo.
Não teve nada a ver com o tipo de raciocínio claro da experiência anterior, era apenas eu comigo mesma, no meu estado “normal” de reciclar pensamentos.

A diferença fundamental também entre as duas experiências é física. Hoje estou me sentindo de ressaca, ainda com uma pressão enorme na nuca e na cabeça. Não há nada de degustar reflexões, sensações (foi maravilhoso, da outra vez, descobrir o que eu podia fazer ao morder uma simples maçã. Uma percepção de mim mesma biologicamente falando).

O que tiro de lição é: já sei como são os extremos e pretendo nunca mais deixar a mediocridade tomar conta. Que venham peias, mas que sejam transformadoras. Não tô pra não sofrer. Só não me venha com chiauauas.

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2 comentários em “Minha segunda vez com ayahuasca: bad trip

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